quinta-feira, junho 11, 2015

Textos dos outros: A exaustão do PT - Elio Gaspari (Folha)


Antes do texto do Gaspari, um comentário meu. Parece que tenho me tornado "de direita", mas só parece. Hoje, na fuzarca em que é soterrado este país, qualquer pessoa que ouse criticar o Partido dos Trabalhadores será chamada de reacionária pelos apaixonados por esse partido, pelos drogados por esse partido, pelos convertidos a esse partido. Por que tanto azedume? Porque, definitivamente, os petistas que ainda defendem o PT rasgando as vestes em discussões políticas são como evangélicos de seitas calouras – que surgiram há poucas décadas, mas causaram estragos e demência irreversíveis na vida de muitos fracotes desavisados. A cegueira petista é tão grande que o país vive uma grave crise econômica e mesmo assim esquerdistas que veem tudo em vermelho estão dizendo que as medidas rigorosas de Dilma (essas que estão tirando direitos dos trabalhadores) são culpa de forças alheias a ela. São os mesmos esquerdistas que não entram num debate sobre o HOJE brasileiro sem citar Fernando Henrique Cardoso, figura presente em muitas práticas onanistas de petistas que têm essa fixação pelo ex-presidente como crentes têm fixação pela Nossa Senhora. Falar que o governo gastou como mendigo que ganhou na Mega Sena e agora está na pindaíba por causa da folia fiscal, isso não falam. Porque o PT é como um Deus: intocável. Admiráveis são os esquerdistas mais exigentes, mais intelectuais e menos preto-no-branco que estão ousando criticar um governo falho que está com o nome sujo por causa de um passado de folia e agora não pode nem comprar um pão sem glúten na padaria. Já os novos jecas do "volta, Lula" fingem não saber que o querido homem do povo é milionário, come e bebe artigos vindos do estrangeiro, vive como patrão e importa garrafas de bebida que custam milhares de reais (além, claro, de ser o responsável pelo ápice montanhesco do discurso ultrajante do "nós e eles", que só aloprou relações sociais e fez com que pessoas antes sadias se tornassem insuportáveis). Esses querem dizer que as coisas voltarão ao eixo se Lula voltar ao poder, como se o problema, quem sabe, fosse somente o estilo de governar de Dilma, e não o já esgarçado, mentiroso e ladrão Partido dos Trabalhadores – que só quem toma os mesmos psicotrópicos que a Marilena Chauí pode defender o-tempo-todo-sem-ressalvas. 

Enfim, a coluna de ontem do lúcido (para que você, petista roxo, entenda, lúcido é alguém que é o oposto de fanático) Elio Gaspari, para a Folha de São Paulo, pode falar muito melhor sobre essas questões. É ela que colo aqui na segunda postagem da seção "textos dos outros". 

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"Começa amanhã e vai até dia 14 o 5º Congresso do Partido dos Trabalhadores. Ele junta um cacique, uma dúzia de tendências e três grandes grupos: a turma dos eventos, que poderão ser apreciados no show da cerimônia de instalação do encontro; a turma que se aninhou no aparelho do Estado e pessoas que procuram pensar o que esse partido é ou o que poderá ser. O que foi, ou quis ser, esqueça-se. As três turmas se superpõem, pois todos gostam de eventos, poucos se expressam sem blá-blá-blá e dezenas de milhares aninharam-se. (Um petista que foi levado para a administração da Prefeitura de São Paulo em 1989 e pulou de cargo em cargo já completou 26 anos de carteira assinada.)

O presidente do partido, Rui Falcão, garante que não há crise e mostra um número: o PT tem 1,7 milhão de filiados, só neste ano abrigou 171 mil novos inscritos e há 47 mil pessoas na fila. O significado desses números é indiscutível. A qualidade das adesões é bem outra coisa. Outra estatística informa o seguinte: dois presidentes do partido e dois dos seus tesoureiros foram para a cadeia.

A maior crise do PT está na sua exaustão intelectual e a prova disso é o reerguimento da sua bandeira pela criação de um imposto sobre grandes fortunas. Deixe-se de lado a questão técnica. Pode ser uma boa ideia, até porque a imensa maioria dos milionários brasileiros é mão de vaca. O PT defende esse imposto desde sua criação, está no poder desde 2003 e fez rigorosamente nada. Pelo contrário. Lula corre o mundo em jatinhos de milionários, a consultoria José Dirceu assessorou a empresa de três bilionários (em dólares) da lista da revista "Forbes". Já a firma do ex-ministro Antonio Palocci assessorou outro. O PT pode não ter descoberto a maneira de arrecadar impostos dos afortunados, mas mostrou-lhes como mimar petistas. A consequência perversa desse contubérnio já foi vista nos episódios em que ex-ministros foram vaiados em restaurantes aonde raramente iam antes da vitória eleitoral de 2002. Depois veio o prazer do poder e mudaram costumes e gostos. O casal Lula achou razoável fazer um canteiro de flores vermelhas com forma de estrela nos jardins do Palácio da Alvorada.

Quando o PT estava na oposição e levantava a bandeira do imposto sobre grandes fortunas, isso poderia ser um projeto, ou mesmo demagogia. Hoje, é simples hipocrisia política de um partido que governa com a receita econômica defendida pelo candidato Aécio Neves. Petista gritando "fora Levy" faria melhor se murmurasse "fora eu".

A rendição petista ao programa de Levy é um reflexo da exaustão intelectual do partido. Fernando Henrique Cardoso fez um arrocho para consertar estragos de governos anteriores. Roberto Campos 30 anos antes, também. Levy tenta consertar estragos do mandarinato petista, potencializados no primeiro mandato da doutora Dilma. Ela pedalava as contas públicas, agora pedala uma bicicleta americana.

Numa das suas recentes propagandas de televisão, o PT informou: "Vamos para as ruas defender nossas bandeiras e nossas ideias". Noves fora a bandeira vermelha, não se sabe de outras. Ideias novas e boas, nenhuma".